ONDE FOI QUE EU ERREI?
sempreemfrente
Estava a folhear um livro e me deparei com Carlos Drumond de Andrade “Meu corpo não é meu corpo, é ilusão de outro ser. Sabe a arte de esconder-se e é de tal modo sagaz que a mim de mim ele oculta”.
Ocultar é não revelar.
Penso que muitas pessoas vivem se escondendo, evitando mostrar o seu verdadeiro corpo ou quem sabe a sua alma.
Entendo que para nós sermos transparentes uns com os outros é necessário sentirmos seguros, aceitos e satisfeitos.
Mas existe uma pessoa totalmente satisfeita com o que tem?
Acredito que não, principalmente, no meio da nossa sociedade consumista e globalizada onde recebemos várias informações sobre o novo paradigma do momento em milésimo de segundos.
Uma vez que não conseguimos assimilar todos os informes, nos deixamos ser manipulados pelo atual comportamento do mercado: chapinhas, alisamentos, olhos grandes, lábios carnudos, unhas postiças, carro do ano, celular de última linha, tênis, silicone, corpo escultural ou magérrimo...
Não tenho a intenção de levantar uma bandeira contra quem quer que seja, mas cutucar, mobilizar para a reflexão sobre as nossas escolhas e comportamentos diante de tanta informação que, muitas vezes, nos deixam confusos, ou melhor, ocultos e que podem nos levar ao sofrimento.
Onde começa a necessidade e termina o prazer?
“Neste lábil terreno de incertos limites é que o conflito pode não se resolver, ou melhor dito, que as satisfações esperadas podem não ocorrer. E mais ainda, que a necessidade e a realidade se sobreponham`a busca do prazer-suficiente, instalando o sofrimento e a dor”.(Maria Auxiliadora Arantes).
Já ouviu falar sobre os transtornos alimentares?Existem duas síndromes importantes e bem definidas: Anorexia nervosa e bulimia nervosa.
Segundo o CID 10, a anorexia nervosa “é um transtorno caracterizado por deliberada perda de peso induzida e/ ou mantida pelo paciente” e a bulimia nervosa “ é uma síndrome caracterizada por repetidos ataques de hiperfagia e uma preocupação excessiva com o controle de peso corporal, levando o paciente a adotar medidas extremas, a fim de mitigar os efeitos “ de engordar” da ingestão de alimentos”.
Creio que desejar o melhor para si é muito bom e saudável. No entanto, querer ser o que não é... Quanto sofrimento!
Olhar-se no espelho e enxergar uma pessoa fora dos padrões momentâneos e sentir-se insatisfeita, esquisita, estranha e feia. “Aonde foi que eu errei? Será que é minha roupa? Será que é a outra? Será que estou magra ou engordei? Será que eu sou feia? Será o meu cabelo? Será um pesadelo?”. (Alexandre Lucas, Cacá Moraes e Júlio Borges)
Assim, acredito que ao engolir ou passar fome para conquistar o mercado de trabalho, amigo, amante, sucesso, prestígio, status, reconhecimento...E esquecer ou ignorar que entramos em um círculo insaciável, voraz, minuto a minuto, é esconder, cobrir, velar, tapar, tornar secreto o nosso valor e ética, sentimento, humor, emoção e deixar o nosso corpo oculto.
Finalizo com uma provocação para avaliarmos o nosso comportamento, papel, dentro da sociedade insatisfeita e insaciável que estimula a ocultar o corpo e a alma. Aí vai a pergunta: Onde foi que eu errei? Atenção: Esta resposta não é para nos sentirmos culpados, paralisados, mas estimulados a ir à frente de um jeito diferente, mas sempre em frente.
(Fonte da imagem: fitametricaconsultoria.com.br)

