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Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

OBEDIÊNCIA À JUSTIÇA.

        Nos tempos atuais discorrer sobre obediência à justiça, seja particular ou social, parece ser um grande desafio , vide os escândalos nos diversos meios de comunicação: corrupção, atentado à igualdade humana, distorção entre o capital e trabalho e violência urbana.

       

          Segundo, Anacleto de Oliveira Faria :

           “Os romanos, em frase lapidar, definiram: justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique tribuendi – justiça é a constante e perpétua vontade de dar o seu a cada um.”

     

       Contudo, para dar a outrem o que lhe é devido precisaremos entrar na seara do princípio da igualdade que é um dos valores básicos em um posicionamento ético e considerado por muitos estudiosos como um valor de dimensão universal.

    

       Destaco o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos- Organização das Nações Unidas: 

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

 

 Entretanto, percebo que a nossa sociedade vem, desde muito tempo, sendo incoerente tanto com o 1º artigo da Declaração Universal quanto com as suas leis, pois na prática assistimos diariamente diversas ações recheadas de iniquidades se perpetuarem diante dos nossos olhos, indo de encontro a tudo o que considera como virtude.

 

 Como estamos nos relacionando? Como está a nossa ética? Como lidamos com a imposição de uma cultura da marginalização e exclusão? Como agimos diante do feminicídio, da homofobia, exclusão econômica e social, tráfico humano , preconceito racial ou mesmo da cultura do silêncio frente às tantas injustiças? Não tenho a intenção de deixar uma ou mais respostas prontas para estas perguntas, mas ouso estimular e propor uma reflexão sobre elas.

 

  O filósofo Mário Sérgio Cortella escreveu em um dos seus livros: “ É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”.

 

 Ser servos de uma cultura que não valoriza a reflexão, mas a morte, o egoísmo, injustiça, iniquidade, desespero e corrupção poderá nos levar para paralisia, atraso, decadência e uma grande ruína, porque passamos a usar o poder para ser servidos, ao invés de servir, valorizando a maldade, as diversas formas de exclusão , a brutalidade e desarmonia.

 

      Assim, proponho que possamos refletir sobre o nosso comportamento, nossa convivência e as nossas escolhas diante de tanta desobediência à justiça, particular e social, pois o que escolhemos tem consequência e pode afetar toda a sociedade ao nosso redor. Fazemos parte de um grupo social que de nada adiantará sermos racionais, senão pensarmos sobre as gritantes injustiças, os desrespeitos dos nossos semelhantes, que muitas das vezes assistimos, provocamos ou mesmo sofremos sem fazermos nenhum movimento para mudar. Finalizo , então,

“ Quando morreres, só levarás aquilo que tiveres dado.”

(Saadi, O Jardim das rosas).

 

QUAL ESTILO DE VIDA ESCOLHEMOS PARA NÓS? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

         A cada dia vejo mais e mais pessoas disfarçando as suas reais intenções para conseguirem o que almejam, cujo fim será segundo as suas obras. Demonstram não se importarem com o que está acontecendo ao seu redor através das suas atitudes.

 

        O que está acontecendo com a humanidade? Tenho a impressão que estamos congelados diante de tanta tragédia, desonestidade e injustiça. Por que não agimos para mudar o que nos parece necessário para toda a raça humana? Ao invés disso, toleramos a quem nos escraviza, violenta-nos, a quem nos trata com indiferença, arrogância, expõe-nos a perigos...Será que estamos enfraquecidos por termos vendido ou encarcerado os nossos sonhos e só agora nos damos conta das consequências da nossa traição?

 

         Parece que os nossos pensamentos foram corrompidos e  estamos soltos(as), sem rumo, sem crença alguma como Cazuza bem expressou na música Ideologia:

     “Meu partido/ É um coração partido/E as ilusões estão todas perdidas/ E os meus sonhos foram todos vendidos/Tão barato que eu nem acredito...Ideologia/Eu quero uma para viver”.

 

        Talvez o nosso grande erro ou inocência foi termos acreditado em falsas promessas, sendo enganados(as) pela astúcia dos nossos adversários ou de nossas adversárias, aliando-nos a pessoas que se envaidecem e expressam que querem nos ajudar, firmando-se iguais a nós, mas no fundo, disfarçam-se através de belas palavras, doações, rondando-nos a cada momento doidos(as) para dar o bote e nos colocar presos(as) sem termos para onde ir ou mesmo o que comermos.

 

       Quanta tristeza, frustração e perigo!!!O que fizemos conosco e com o nosso País? De nada irá adiantar se não aceitarmos que erramos e procurarmos fazer diferente, porque se não mudarmos o roteiro o final da história será o mesmo.

 

       Temos na nossa história vários momentos em que reagimos a injustiças, mordaças, escravidão, torturas, maldades...porém, a sensação que tenho é que tudo o que aconteceu esquecemos. Como pode tanta batalha ser em vão? Estamos estagnados diante da fome, pobreza, violência, desemprego, falta de dignidade humana...a maioria pensa em si e não mais na pessoa que está ao lado, passando a ideia de que servir não é mais o objetivo e sim ser servido(a).

 

       Entretanto, mesmo diante da degradação que a humanidade vivencia, conseguimos encontrar pessoas sinceras e humildes que pensam e agem diferentes. Elas não enxergam no outrem um peso, obstáculo, problema, mas conseguem despojar-se das vaidades humanas, são fraternas, dividem o que têm, pensam e praticam o bem comum, são suportes para que a outra pessoa possa crescer , procuram suprir as faltas e acolhem palavras que as fazem ser pessoas melhores para si e para os outros. Enfim, elas têm como objetivo servir. Segundo o Evangelho Católico(Mc. 9,35), “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!”

 

         Assim , anseio que a atitude das pessoas fraternas possa multiplicar e frutificar até cortar pela raiz todo pretexto daqueles(as) que nos querem fazer acreditar que nada irá mudar, a injustiça irá sempre imperar e o que importa é cada um por si e Deus por eles(as).Logo, que possamos ter discernimento nas escolhas de atitudes e sabedoria para nos mantermos alertas diante do que ocorre com todos nós, sem medo de qualquer indagação que nos leve à ação: Qual estilo de vida escolhemos para nós? O que está acontecendo?

                                                             

                                                                   (Fonte da imagem: google.com.br)

                                                                                                                         

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O VALOR DA PALAVRA DE HONRA.

        Ao começar a propaganda política, fiquei com a impressão que havia começado, também, o mau uso da palavra ao escutar as várias promessas ou garantias dos candidatos. Tudo isso me levou a refletir sobre a palavra de honra.

   

       Segundo o dicionário Aurélio, a palavra de honra denota: “Aquela em que a pessoa empenha a sua honra, sua credibilidade pessoal”. Acredito que quem a emprega com diligência demonstra não se importar com a opinião contrária das pessoas às suas boas obras e virtudes, valorizando a fidelidade à sua crença, brio e dignidade própria.

 

        Contudo, para algumas pessoas, nos dias atuais, encontrar alguém que verbalize empenhar a ‘palavra’ provoca alguns sentimentos: perplexidade, desprazer, desconfiança e insegurança. Haja vista que, a maioria delas, em algum momento, já vivenciou a deslealdade de alguém e, por isso, ficam cabreiras em seu meio social: será que  irão cumprir com a palavra? Até quando suportarão as tentações?

 

        Na sociedade existem pessoas que além de não serem fiéis ao seu compromisso, gastam os seus dias instigando o outro ao erro ou a maldade. O que fazer? Penso que precisamos ter consciência dos nossos valores, de tudo o que concorre para satisfazer nossas necessidades, discernir o que nos edifica e decidir por aquele que contribuirá e alicerçará a nossa vida.

 

     Uma vez que escolhemos um valor central, creio ser necessário tomarmos posse dele e nos prepararmos para um possível combate, pois vivemos em um contexto de valores bem diversificados, o que é extremamente enriquecedor, mas por outro ângulo, se não estivermos convictos do que valorizamos poderemos ser uma presa fácil daquelas pessoas que só pensam em impor os seus valores, desrespeitando os nossos.

 

      “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus.” (Lc.4,4).Independente da crença julgo ser importante ancorar a nossa vida em uma palavra que acreditamos ser verdadeira. Entretanto, precisamos conhecê-la para não a esvaziar com significados distorcidos e mentirosos, recheados de mero interesse próprio e injustiças sociais.

 

 “Ser responsável, respeitar a dignidade humana, praticar a verdade e a justiça, reconhecer o valor da  solidariedade é o mínimo que se pode exigir para a formação ética de uma pessoa, face ao contexto sócio cultural em que vive”. (Nair Motta).

 

        Portanto, que possamos valorizar e discernir no meio dessa enxurrada de candidatos as pessoas "de palavra" , que a empenham com o intuito de contribuir com a sociedade, principalmente àquelas que não somente sabem fazer o uso dela, mas que demonstram com atitudes a sua verdadeira intenção, valorizam a palavra de honra. Chega de ficarmos nos enganando com belas palavras sem congruência alguma, recheadas de frases politicamente corretas, porém estruturadas sem nenhum valor ao bem comum, respeito à dignidade humana, honestidade, justiça, solidariedade, responsabilidade, igualdade de direito, de oportunidade e respeito às diferenças.

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?


        Em algum momento da nossa vida já escutamos alguém nos indagar sobre as nossas escolhas profissionais : O que você vai ser quando crescer? Parece que só seremos alguém depois que realizarmos a escolha profissional.


       A fase do desenvolvimento na qual somos pressionados para realizarmos a escolha da nossa profissão é a adolescência. Nessa fase, encontramo-nos, muitas vezes, confusos(as), inseguros(as) diante da chegada de um novo mundo cheio de descobertas, conflitos, emoções exageradas, paixões, ideologias, turmas...e é nesse exato momento que precisamos tomar a grande decisão pela carreira profissional.

       O que fazer diante de várias demandas? Muitas pessoas costumam se direcionar para os adolescentes às vezes com ar de imposição ou mesmo apresentam receitas prontas de como conseguirem alçar o sucesso profissional, ditando o que devem levar em consideração no momento da escolha da profissão a seguir: satisfação pessoal, sucesso financeiro, realização dos desejos dos pais, preconceitos embutidos, mitos... como se todos nós estivéssemos no mesmo tempo da caminhada e preparados para dar a tão esperada resposta aos nossos familiares e ou amigos sobre qual é a nossa vocação.

     Comungo com a ideia de Tabajara Dias, quando ele expressa a importância do papel da família , ouso acrescentar, original ou escolhida, que desempenha no momento da escolha da carreira profissional. “É no convívio da família que se formam os conceitos, aspecto extremamente importante quando consideramos a estruturação de um projeto de carreira.”

      Penso que conviver com pessoas que desde cedo nos estimulam a fazer escolhas e projetos, a respeitar o nosso tempo sem nos pressionar, a ajudar a descobrirmos o que gostamos e o que nos deixam desanimados, acreditar em nosso potencial, a buscar nos encorajar a enfrentar nossos medos, a aprender com os erros, não desistir frente às dificuldades, poderá contribuir para que na hora H, no momento da tomada da grande decisão da nossa vida, a escolha seja feita de forma coerente com o nosso momento, respeitando as nossas habilidades e facilitando a descoberta da nossa vocação, do nosso chamado para servir dentro da sociedade à qual estamos inseridos(as).

      Entretanto, todo projeto requer desenvolvimento de algumas etapas para que os nossos sonhos sejam projetados e realizados, e uma dessas etapas é o estabelecimento do objetivo. Como identificar e definir este objetivo que faz parte não somente do projeto de carreira, mas do projeto da nossa vida? Considero importante que antes de definirmos qual objetivo, precisamos conhecer-nos, tomar contato com as nossas emoções, nossa história familiar, motivação, cultura, nossos sentimentos e humor, porque o conhecimento antecede a escolha.

      Assim, descobrir o que queremos ser quando crescer, qual a nossa vocação, entendo não ser tão simples como algumas pessoas pregam e esperam que tenhamos a resposta de imediato, pois saber qual é a nossa vocação, nossa missão na sociedade, implica várias questões que perpassam no momento dessa escolha: psicológica, fisiológica, social, financeira... Por isso, acredito que para realizarmos uma escolha precisamos ir em busca primeiro do nosso autoconhecimento, tomar posse da nossa vida, descobrir o que está encoberto, surpreender-nos diante do nosso potencial e habilidades para enfim conseguirmos ou não encontrarmos a resposta sobre qual somos indagados: O que você vai ser quando crescer?

RECONCILIAÇÃO.

      Buscar a reconciliação com a nossa história ou com outra pessoa penso não ser fácil. Temos a tendência à apontar os erros dos outros do que reconhecermos os nossos. Até por que para isso precisaremos, antes de tudo, aceitar que cometemos algum deslize na relação. Uma vez que aceitamos poderemos dar o próximo passo em direção da tão sonhada reconciliação, quiçá mútua, e melhorar os nossos relacionamentos.

     

      Contudo, aceitarmos que não somos perfeitos, que em algum momento da nossa vida magoamos, traímos , ferimos, provocamos alguma ação indevida que acabou resvalando em alguém e prejudicando não somente essa pessoa mais o grupo o qual estamos inseridos, pode ser muito difícil e doloroso, porém será uma bela iniciativa para darmos a largada para a nossa mudança e melhorarmos a nossa qualidade de vida, bem como, as nossas relações humanas e interpessoais, se assim desejarmos restabelecer as boas relações com quem estávamos brigados.

 

     Quantos desentendimentos surgem puramente como consequência de choques de ideias! Ouvimos diversos discursos sobre as diferenças raciais, culturais, religiosas, de gênero, crenças em geral, mas na hora de nos relacionarmos se não estivermos atentos , comprometidos em manter a relação, acabamos por cometer erros crassos, expressando as nossas ideias preconcebidas sem nenhuma reflexão sobre o assunto.

 

       Não só os conflitos podem causar fissuras na relação como também, a crença de que o que a sustenta é aquilo que já construímos , está pronto e conquistado não tendo mais nada para melhorar ou mesmo conquistar. Quando pensamos assim, demonstramos falta de humildade e abrimos brecha para o surgimento de uma rachadura proveniente desde uma simples acomodação até o comprometimento severo da relação como um todo, podendo ficar mais difícil a reconciliação.

 

      Tampouco a falta de perdão poderá provocar contendas e desuniões nos relacionamentos, quando permitimos que todos os sentimentos envolvidos  acabem endurecendo o nosso coração e nos deixem cada vez mais isolados sem o desejo de realizar o encontro com outrem. Não percebemos que, aos poucos, podemos alimentar o motivo da briga e ficamos, remoendo-o dentro de nós, ao reviver todos os rancores, decepções e intrigas, ao cultivar  o apego da desarmonia e inimizade sem querer avaliar os sentimentos nem considerar que toda a relação é de mão dupla e, como tal, também temos responsabilidades em como nos relacionamos. Como também, ao não aceitar que ninguém é perfeito ao ponto de estar sempre certo, bem como imperfeito, sempre.

 

       A reconciliação conosco e com as outras pessoas requer esforço e é um grande desafio existencial. Não querer mais se alimentar de sentimentos ruins que contribuem para danificar as relações humanas e interpessoais e querer  seguir em frente como o tempo faz. Ressalto o Imre Madách em A tragédia do homem:

 

“ Esforço vão! Indivíduo nenhum/pode ir de encontro à época em que nasceu./O tempo é um rio que leva ou que afoga:/nele se nada, nele ninguém manda./Os grande homens de que fala a História/foram os que entenderam bem seus tempos./Não amanhece porque o galo canta:/o galo é que canta porque amanhece.”(Apud, A Sorte Segue a Coragem , pág. 31, 2018).

 

 

        Assim, rogo  que possamos com humildade, pedir ajuda , quando necessário for, para deixar de olhar,  de forma incessantemente, para o passado, alugando-o, mas que diariamente possamos administrar o tempo que temos e que nos resta, certos de que não temos como voltar atrás. Entretanto, podemos elaborar e dar novos significados ao que nos aconteceu, aprender a cultivar as nossas experiências, atitudes e sentimentos ao permitir que a porta da reconciliação fique aberta e nos leve à nossa edificação e a bons relacionamentos que são recheados de imperfeições e diferenças, mas que nos ajudam a viver e amadurecer.

 

O QUE DEVEMOS FAZER?

           Dizem que diante dos fatos não temos justificativa. Será? Sabemos que as coisas não estão fáceis para ninguém. Contudo, não precisamos agir com resignação quando nos falam para ficarmos calados, paralisados em face do exposto, concordando com as injustiças espalhadas a quatro cantos, diariamente, em nosso país. Querer justificativa, talvez, seja na verdade até muito pouco para quem quer uma real transformação.

 

          Qualquer tipo de alteração que venha modificar alguma coisa pode, em algum momento, parecer-nos impossível, seja por estarmos com medo do novo, por não acreditarmos em nosso potencial ou estarmos acomodados com o que já conquistamos. Imagine alterar todo um sistema adoecido, desde muito tempo. Talvez humanamente  até seja impossível mesmo, principalmente, se esse sistema foi feito para não ser mudado.

 

        Que pena!!! Porém, ainda assim, podemos desejar e provocar uma  pequena mudança nem que seja somente a nossa diante da forma como enxergamos os fatos e buscamos as justificativas e reais transformações. Até por que se  desejamos e queremos  mudança, precisamos começar logo a fazer a nossa parte. Johann Wolfgang von Goethe disse: “ Cada indecisão traz sua própria demora e perdemos os dias perdidos...O que você pode fazer ou pensa que sabe, comece-o.  Pois a ousadia tem em si mesma magia, poder e talento.”(Apud Coragem para mudar, pág.247).

 

         Será muita pretensão , arrogância e defesa pensarmos que somos pessoas boas, não temos dúvida sobre as nossas atitudes, não precisamos melhorar em nada,  mas o sistema sim, agindo como quem não fizéssemos parte dele e muito menos fôssemos responsáveis de uma maneira ou de outra por toda a engrenagem que se apresenta a olhos vivos.

 

          Entendo que existem momentos em nossa vida que ”Sob a pressão da excessiva ansiedade, o ego, muitas vezes, é obrigado a adotar medidas extremas para aliviar a tensão.” (Teorias da Personalidade, pág. 64, E.P.U). Fazemos uso do mecanismo de defesa chamado projeção, projetando as nossas dificuldades e responsabilidades nos outros, substituindo um perigo maior por outro menor por não estarmos em condições de encararmos e lidarmos com a realidade que se apresenta e nos habilitamos a externar nossos impulsos sob o disfarce de nos defendermos contra nossos inimigos. No entanto, se quisermos melhorar precisaremos, por mais difícil que seja, aceitarmos que fazemos parte desse sistema bem prejudicado e começarmos a olhar para dentro de nós para sabermos qual o nosso papel na engrenagem desse sistema.

 

          Assim, anseio que possamos sair da caixinha que nos engessa e  começarmos a pensar, fazermos perguntas, expressarmos as nossas dúvidas, pois é através delas que avançamos, seguimos em frente e desenvolvemos cada vez mais. Vide o avanço das ciências. Enfim, precisamos fazer alguma coisa,  pois a  renovação é necessária diante do quadro desastroso que se apresenta em todas áreas do Brasil. Não dá mais para ficarmos de braços cruzados, satisfeitos com a  forma como estamos lidando com a engrenagem desse sistema parado que parece ter sido feito para ficar assim. Demonstrar satisfação com o que nos incomoda, prejudica-nos, fere-nos, parece-me entorpecimento, uma grande paralisação que não nos leva à transformação e muito menos ao crescimento.

        

       Por isso, ouso deixar como reflexão o seguinte questionamento:  Se a engrenagem do sistema está quebrada , não tem óleo, não funciona, parece que foi feita para isso...Então, o que devemos fazer?

 

                                     

                     (Fonte da imagem: blogdofabossi.com.br)               

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O FELINO QUE RUGE.

            Diante dos diversos fatos estarrecedores vivenciados, já há algum tempo, pela nação brasileira, o que me deixa perplexa e indignada são as atitudes de algumas pessoas ao agirem com total indiferença e egoísmo na presença das dificuldades e fraquezas de outrem e , ainda, terem o desplante de se aproveitarem disso.

 

          Aumentam o preço dos poucos alimentos encontrados nos mercados e nas feiras livres, combustíveis nos postos, transportes e, ainda, propagam notícias falsas com o objetivo de desestabilizar uma população. Roubam e espalham sangue pelas ruas sem dó e nem piedade, agem como se estivessem perante uma presa ensanguentada, debatendo-se, clamando por vida, mas que nada fazem para contribuir com a salvação, apenas se preocupam com os seus desejos momentâneos e nada mais.

 

        Quanta ganância e indiferença!!!O felino ruge, avisa que está chegando para arrebatar a presa, viola as leis, toma os bens e as riquezas, não distingue o puro do impuro, mente, oprime e ao invés da população se unir para salvar uns aos outros... “ A população da terra se entrega à violência e à rapina, à opressão do pobre e do indigente, e às vexações injustificáveis contra o estrangeiro.”( Ezequiel 22, 29).

 

        Os aproveitadores esquecem que todos nós fazemos parte de uma única raça, a humana e somos partes do mesmo grupo, dos mortais. As nossas escolhas irão refletir no grupo o qual pertencemos e uma hora ou outra iremos pagar e responder por isso. Estamos ligados e dependemos uns dos outros.

 

         Contribuir com a desordem e com o crime de nada irá nos ajudar a enfrentar o caos urbano e nacional, como também ficarmos estagnados na frente de tanta ganância e destruição, concordando com as medidas e ações execráveis, utilizadas por algumas pessoas com o intuito de escamotear a verdadeira realidade por puro interesse próprio, deixando de lado o bem comum.

 

        A mudança é necessária e pulsa com bastante urgência. Cabe aqui o filósofo e escritor, Mario Sergio Cortella “A busca da excelência exige ação. Mas sem cautela imobilizadora nem ímpeto inconsequente.”

 

      A coragem, sabedoria e o discernimento poderão ser preciosos ingredientes para exterminar ou pelo menos amenizar a fome do animal que insiste em rugir e avançar em todo o povo.

 

    Contudo, para isso precisamos fortalecer a nossa subjetividade, a subjetividade do povo. Cuidar do sofrimento ético-político e da humilhação social que retiram a potência das pessoas. Segundo Sawaia ( Apud, Psicologias,2008, pág.189), “o sofrimento ético-político abrange as múltiplas afecções do corpo e da alma que mutilam a vida de diferentes formas. Qualifica-se pela maneira como sou tratada e trato o outro na intersubjetividade, face a face ou anônima, cuja dinâmica, conteúdo e qualidade são determinados pela organização social.”

 

         Enfim, enfrentar o felino não é fácil , mas alguém disse que seria? Para tal precisamos nos unir para agirmos, apropriarmos da nossa produção, seja material, cultural, econômica, política... nos fortalecer, evitando egoísmos, usuras, cobiças e inverdades que provavelmente favorecerão o aumento da desigualdade social e o rugido do felino.

                                                   

                                         (Fonte da imagem: unicagestão.com)

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