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Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

RECEBER A MISSÃO DE SERVIR.

          Hoje, estamos, quase que diariamente, recebendo uma enxurrada de notícias sobre os mais diversos servidores, principalmente os públicos, independente do regime jurídico, de estarem sendo suspeitos por fazerem uso de forma indevida do dinheiro da máquina pública , bem como de distorcerem a missão de servir à sociedade. Onde nós chegamos?

         

          Alguns servidores que têm como precípua função servir a população demonstram na verdade passar grande parte do seu tempo ocupados em administrar o seu próprio interesse, ao invés do coletivo. O bem-estar deles vai na frente do da sociedade, apresentando um comportamento questionável sem escrúpulo e antiético.

     

           Segundo Mário Sérgio Cortella,

 

“ A ética é um conjunto de princípios e valores que você usa para responder as três grandes perguntas da vida humana: Quero? Devo? Posso?”

     

        Muitas das vezes vivenciamos alguns dilemas éticos diários que nos colocam em conflitos: Quando precisamos escolher entre os nossos princípios e a lógica de algumas pessoas, que nos convidam a aceitar algum tipo de propina ou mesmo fechar os olhos para ações lucrativas, que poderão multiplicar as nossas finanças e nos manter no serviço. Diante desse dilema o que fazermos? Ter que escolher entre o certo e o errado em relação aos nossos valores e princípios pode não ser nada fácil.

       

          É certo que fazemos parte de um grande grupo e por mais que queiramos ou não, dependemos uns dos outros para nos mantermos vivos dentro dele. A decisão pode até ser individual, porém as consequências nem sempre.

           

            Voltaire disse:

“É perigoso estar certo em questões nas quais as autoridades constituídas estão erradas.”(Apud, O que Nietzsche faria?, pág. 218).

        

           Mas será que deveremos nos calar, omitir-nos? E aí, qual será a nossa conduta quando nos depararmos com servidores que têm condutas imorais, ao irem de encontro com determinados princípios que a nossa sociedade tem?

      

         O filósofo citado acima, foi um implacável defensor do direito à liberdade de expressão e jamais deixou de dizer o que acreditava o que deveria ser dito. Ele defendia que era através da manifestação do pensamento, sobretudo através da escrita, que podemos provocar uma mudança, quiçá uma grande reforma. No entanto, não adianta, somente, escrevermos, gritarmos aos quatro cantos ou reclamarmos que não concordamos com o rumo que as coisas estão tomando. Faz-se necessário para continuarmos vivos, protestarmos, ativamente, das mais variadas formas contra toda e qualquer ação que desqualifique a missão de um servidor e favoreça a corrupção e injustiça social.

   

       Assim, quando nos defrontarmos com notícias devastadoras em relação aos administradores do nosso dinheiro que saquearam e , sabe se lá se continuam saqueando os cofres públicos, sem dó e nem piedade, precisaremos nos mobilizar, resistir e estimular o pensamento crítico para evitar que toda essa ação seja naturalizada ou mesmo “ institucionalizada.”

     

     Tampouco, precisaremos tomar cuidado para não menosprezarmos todos(as) que receberam a incumbência de servir ao coletivo. Nessa hora uma boa dose de discernimento se faz necessário para separar o joio do trigo, identificar quem distorce o ofício e valorizar quem realmente desempenha e cumpre a função de forma honrosa, apesar das seduções e convites tentadores para que a missão não seja executada.

     

         Portanto, se quisermos saber onde nós chegamos, faz-se necessário não só nos mantermos atentos no julgamento, mas ainda procurarmos mantermos os nossos olhos bem abertos e valorizarmos todo e qualquer serviço, a ação de dar de si algo em forma de trabalho que nos desperta para a nossa vocação, para a tarefa em favor de alguém ou do coletivo e, que nos impulsiona a desempenhar a atividade que nos foi designada, enxergando o verdadeiro significado dela, mesmo que não sejamos compreendidos(as) por estarmos sendo fiéis à missão recebida.

 

 

 

FILHOS(AS).

     Várias vezes me deparei com algumas pessoas que acreditam que os (as)filhos(as) são dons de Deus. Contudo, será que esses(as) filhos(as) se consideram ou mesmo agem como um presente, uma dádiva divina para os seus pais?

   

    Existem muitas pessoas que por mais que entendam o significado da palavra presente, não conseguem se ver como tal, muito menos não conseguem se permitir, mesmo que desejem, estar ao lado dos seus genitores , os ajudando, orientando ou cuidando. O que acontece com eles(as)?Talvez existam vários motivos que poderão influenciar nas atitudes desses(as)filhos(as).

    

      A família é uma instituição social que tem passado por várias mudanças durante a nossa história. É no seio dessa instituição que ocorre a produção da subjetividade e as funções parentais são definidas e divididas com outras agências sociais.

 

“ Assim, a família reproduz, em seu interior, a cultura que a criança internalizará(...)
A importância da primeira educação é tão grande na formação da pessoa que podemos compará-la ao alicerce da construção de uma casa. Depois, ao longo da sua vida, virão novas experiências que continuarão a construir a casa/ indivíduo, relativizando o poder da família.”
(apud Psicologias, 2009, pág. 241).

 

     Algumas famílias estruturam suas relações no status, riqueza e no poder. Estimulam seus membros a competirem entre eles, fazendo com que sejam adversários e valorizem o relacionamento que seja útil e vantajoso. Quando um membro familiar adoece e não pode mais produzir, é visto como inútil e precisa ser descartado. Grupos familiares, assim, demonstram não nutrirem algumas características que são importantes para que uma relação afetiva se mantenha firme: o respeito, admiração e confiança.

   

      Não tenho aqui a pretensão de discorrer sobre os vários motivos de um(a)filho(a) agir com desprezo ou indiferença diante da necessidade de um familiar que o(a) criou, bem como julgá-lo(a) ou mesmo determinar o que é certo ou errado. Contudo, espero que este texto sirva de instrumento de reflexão sobre a nossa realidade. Mais do que isso , que possamos não só refletir sobre ela, mas também buscar transformá-la.

 


“ Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver.”
(apud, Coragem para Mudar, pág.41)

 


     Logo, se ao refletirmos percebermos que precisamos melhorar a forma como estamos nos relacionando com nosso ente querido, poderemos desenvolver algumas atitudes: começar do zero o jeito como mantemos contato ; transmitir limites, se assim percebermos que é importante; experimentar estreitar ou não os laços; descobrir o porquê e como nos mantemos em um relacionamento qualificado como adoecido e revestido de capa protetora diante um do outro ; procurar também descobrir como afetamos e fomos afetados nas relações; entender os valores e culturas do nosso grupo familiar; dar novo significado às experiências vividas; aprender a administrar nossas emoções e sentimentos e desconstruir os velhos hábitos que nos enrijece e afasta do encontro e contato mais íntimo , transparente e verdadeiro. Afinal de contas somos ou não uma dádiva divina para os nossos pais?

 

SALVAÇÃO.

 

        O substantivo feminino salvação me levou a pensar sobre as várias situações que experienciamos, em algum momento da nossa vida, que podemos qualificá-las como difíceis ou paralisantes, mas que independente da qualidade dada a elas, se não tivermos o interesse em provocar a mudança, provavelmente não teremos a graça de vivenciarmos a tão esperada redenção existencial.

   

      Sair daquilo que nos apresenta como duro de viver ou mesmo sair do marasmo que nos demanda muitas vezes diversos esforços: intelectual, afetivo e físico, não é nada fácil. Sobretudo, quando guardamos somente para nós o que nos constrange, embaraça, violenta, diminui diante dos olhares alheios e contribui com a nossa baixa estima e o surgimento do transtorno de humor: depressão.

   

     Poderia listar aqui vários acontecimentos como exemplo daquilo mencionado no parágrafo anterior. Contudo o que pulsa em minha mente, neste momento, são as explosões diárias de mensagens sobre as múltiplas formas de violência contra a mulher.

  

   Atualmente, estamos recebendo um bombardeio de informações sobre a destruição de sonhos e vidas de milhares de mulheres agredidas e mortas por homens que demonstram não conseguirem lidar com suas próprias limitações e fraquezas emocionais ao ponto de precisarem usar da violência seja física, psíquica, patrimonial ou moral para se sentirem fortes e imortais diante de um ser feminino.

  

    Essa violência muitas vezes surge aos poucos, em doses homeopáticas. O agressor vai aos poucos, minando a sua parceira com depreciações sutis , diminuindo sua autoestima e o respeito por ela mesma, com frases recheadas de palavras que a insulta, ofende, menospreza, critica, acusa, responsabiliza, ameaça e a enfraquece, até chegar ao ponto de a violentar, usando-a como fantoche e abusá-la do jeito mais sórdido e desumano, levando-a a viver uma apatia digna de salvação. A mulher se vê sozinha sem condições de enfrentar as múltiplas formas de violência sofrida e não consegue sair sem ajuda desta dinâmica de relação abusiva.

    Contudo, ao invés da sociedade dar atenção ao pedido de socorro a quem sofre abusos constantes, procurar escutar o que a vítima nos diz através da sua dor e abatimento físico e moral, resgatá-la de forma concreta para reverter a situação, tenho a impressão que a maioria das pessoas assisti de camarote o extermínio da mulher. Algumas chegam até a entrar no jogo de quem agride, desvalorizando a pessoa agredida com frases do tipo: “ela é sem vergonha”; “ela não presta”; “volta para ele por que gosta de apanhar”; “Por que não vai embora?”.

  

      O que está acontecendo com o ser humano? Por que tanta violência doméstica, familiar, ódio, menosprezo ou discriminação à condição da mulher? Como estamos nos relacionando?

   

      Parece que as informações que nos chegam a milésimos de segundos de nada estão nos adiantando enquanto nos apresentarmos como pigmeus emocionais, diante das relações humanas e interpessoais que nos cercam, e não darmos importância ao nosso crescimento existencial.

  

   Precisamos querer aprender a lidar com todos os bombardeios de informações que invadem a nossa vida, porque de nada irá adiantar se não soubermos lidar com eles.

 

Segundo o provérbio nigeriano:
“ Não saber é ruim; não querer saber é pior”.
(apud Como Enfrentar a Violência Verbal, 2015, pág.132).

   

     Algumas ações poderão nos ajudar a contribuir com a nossa evolução pessoal: investir na saúde emocional fazendo psicoterapia, buscando desenvolver a habilidade do autoconhecimento que é a base de todo o relacionamento humano; procurar desenvolver algumas competências como aprender a complementar a cognição e emoção; saber trocar a informação que é fundamental nas relações humanas e, principalmente, desenvolver a empatia para estarmos mais sintonizados(as) com os sutis sinais sociais que indicam o que as outras pessoas precisam ou querem.

  

   Enfim, precisamos ter o interesse em realizar alguns movimentos para a transformação começar a acontecer, contribuir com o processo em evolução, mudar como nos enxergamos e descobrir como estamos nos relacionando para que possamos alcançar a tão esperada redenção não só pessoal como também a social.

                                    

                                   (Fonte da imagem: sindicomerciariosviamao.com.br)

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OBEDIÊNCIA À JUSTIÇA.

        Nos tempos atuais discorrer sobre obediência à justiça, seja particular ou social, parece ser um grande desafio , vide os escândalos nos diversos meios de comunicação: corrupção, atentado à igualdade humana, distorção entre o capital e trabalho e violência urbana.

       

          Segundo, Anacleto de Oliveira Faria :

           “Os romanos, em frase lapidar, definiram: justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique tribuendi – justiça é a constante e perpétua vontade de dar o seu a cada um.”

     

       Contudo, para dar a outrem o que lhe é devido precisaremos entrar na seara do princípio da igualdade que é um dos valores básicos em um posicionamento ético e considerado por muitos estudiosos como um valor de dimensão universal.

    

       Destaco o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos- Organização das Nações Unidas: 

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

 

 Entretanto, percebo que a nossa sociedade vem, desde muito tempo, sendo incoerente tanto com o 1º artigo da Declaração Universal quanto com as suas leis, pois na prática assistimos diariamente diversas ações recheadas de iniquidades se perpetuarem diante dos nossos olhos, indo de encontro a tudo o que considera como virtude.

 

 Como estamos nos relacionando? Como está a nossa ética? Como lidamos com a imposição de uma cultura da marginalização e exclusão? Como agimos diante do feminicídio, da homofobia, exclusão econômica e social, tráfico humano , preconceito racial ou mesmo da cultura do silêncio frente às tantas injustiças? Não tenho a intenção de deixar uma ou mais respostas prontas para estas perguntas, mas ouso estimular e propor uma reflexão sobre elas.

 

  O filósofo Mário Sérgio Cortella escreveu em um dos seus livros: “ É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”.

 

 Ser servos de uma cultura que não valoriza a reflexão, mas a morte, o egoísmo, injustiça, iniquidade, desespero e corrupção poderá nos levar para paralisia, atraso, decadência e uma grande ruína, porque passamos a usar o poder para ser servidos, ao invés de servir, valorizando a maldade, as diversas formas de exclusão , a brutalidade e desarmonia.

 

      Assim, proponho que possamos refletir sobre o nosso comportamento, nossa convivência e as nossas escolhas diante de tanta desobediência à justiça, particular e social, pois o que escolhemos tem consequência e pode afetar toda a sociedade ao nosso redor. Fazemos parte de um grupo social que de nada adiantará sermos racionais, senão pensarmos sobre as gritantes injustiças, os desrespeitos dos nossos semelhantes, que muitas das vezes assistimos, provocamos ou mesmo sofremos sem fazermos nenhum movimento para mudar. Finalizo , então,

“ Quando morreres, só levarás aquilo que tiveres dado.”

(Saadi, O Jardim das rosas).

                                               

                                                                       (Fonte da imagem: sapo.pt)                                             

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QUAL ESTILO DE VIDA ESCOLHEMOS PARA NÓS? O QUE ESTÁ ACONTECENDO?

         A cada dia vejo mais e mais pessoas disfarçando as suas reais intenções para conseguirem o que almejam, cujo fim será segundo as suas obras. Demonstram não se importarem com o que está acontecendo ao seu redor através das suas atitudes.

 

        O que está acontecendo com a humanidade? Tenho a impressão que estamos congelados diante de tanta tragédia, desonestidade e injustiça. Por que não agimos para mudar o que nos parece necessário para toda a raça humana? Ao invés disso, toleramos a quem nos escraviza, violenta-nos, a quem nos trata com indiferença, arrogância, expõe-nos a perigos...Será que estamos enfraquecidos por termos vendido ou encarcerado os nossos sonhos e só agora nos damos conta das consequências da nossa traição?

 

         Parece que os nossos pensamentos foram corrompidos e  estamos soltos(as), sem rumo, sem crença alguma como Cazuza bem expressou na música Ideologia:

     “Meu partido/ É um coração partido/E as ilusões estão todas perdidas/ E os meus sonhos foram todos vendidos/Tão barato que eu nem acredito...Ideologia/Eu quero uma para viver”.

 

        Talvez o nosso grande erro ou inocência foi termos acreditado em falsas promessas, sendo enganados(as) pela astúcia dos nossos adversários ou de nossas adversárias, aliando-nos a pessoas que se envaidecem e expressam que querem nos ajudar, firmando-se iguais a nós, mas no fundo, disfarçam-se através de belas palavras, doações, rondando-nos a cada momento doidos(as) para dar o bote e nos colocar presos(as) sem termos para onde ir ou mesmo o que comermos.

 

       Quanta tristeza, frustração e perigo!!!O que fizemos conosco e com o nosso País? De nada irá adiantar se não aceitarmos que erramos e procurarmos fazer diferente, porque se não mudarmos o roteiro o final da história será o mesmo.

 

       Temos na nossa história vários momentos em que reagimos a injustiças, mordaças, escravidão, torturas, maldades...porém, a sensação que tenho é que tudo o que aconteceu esquecemos. Como pode tanta batalha ser em vão? Estamos estagnados diante da fome, pobreza, violência, desemprego, falta de dignidade humana...a maioria pensa em si e não mais na pessoa que está ao lado, passando a ideia de que servir não é mais o objetivo e sim ser servido(a).

 

       Entretanto, mesmo diante da degradação que a humanidade vivencia, conseguimos encontrar pessoas sinceras e humildes que pensam e agem diferentes. Elas não enxergam no outrem um peso, obstáculo, problema, mas conseguem despojar-se das vaidades humanas, são fraternas, dividem o que têm, pensam e praticam o bem comum, são suportes para que a outra pessoa possa crescer , procuram suprir as faltas e acolhem palavras que as fazem ser pessoas melhores para si e para os outros. Enfim, elas têm como objetivo servir. Segundo o Evangelho Católico(Mc. 9,35), “Se alguém quiser ser o primeiro, que seja o último de todos e aquele que serve a todos!”

 

         Assim , anseio que a atitude das pessoas fraternas possa multiplicar e frutificar até cortar pela raiz todo pretexto daqueles(as) que nos querem fazer acreditar que nada irá mudar, a injustiça irá sempre imperar e o que importa é cada um por si e Deus por eles(as).Logo, que possamos ter discernimento nas escolhas de atitudes e sabedoria para nos mantermos alertas diante do que ocorre com todos nós, sem medo de qualquer indagação que nos leve à ação: Qual estilo de vida escolhemos para nós? O que está acontecendo?

                                                             

                                                                   (Fonte da imagem: google.com.br)

                                                                                                                         

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O VALOR DA PALAVRA DE HONRA.

        Ao começar a propaganda política, fiquei com a impressão que havia começado, também, o mau uso da palavra ao escutar as várias promessas ou garantias dos candidatos. Tudo isso me levou a refletir sobre a palavra de honra.

   

       Segundo o dicionário Aurélio, a palavra de honra denota: “Aquela em que a pessoa empenha a sua honra, sua credibilidade pessoal”. Acredito que quem a emprega com diligência demonstra não se importar com a opinião contrária das pessoas às suas boas obras e virtudes, valorizando a fidelidade à sua crença, brio e dignidade própria.

 

        Contudo, para algumas pessoas, nos dias atuais, encontrar alguém que verbalize empenhar a ‘palavra’ provoca alguns sentimentos: perplexidade, desprazer, desconfiança e insegurança. Haja vista que, a maioria delas, em algum momento, já vivenciou a deslealdade de alguém e, por isso, ficam cabreiras em seu meio social: será que  irão cumprir com a palavra? Até quando suportarão as tentações?

 

        Na sociedade existem pessoas que além de não serem fiéis ao seu compromisso, gastam os seus dias instigando o outro ao erro ou a maldade. O que fazer? Penso que precisamos ter consciência dos nossos valores, de tudo o que concorre para satisfazer nossas necessidades, discernir o que nos edifica e decidir por aquele que contribuirá e alicerçará a nossa vida.

 

     Uma vez que escolhemos um valor central, creio ser necessário tomarmos posse dele e nos prepararmos para um possível combate, pois vivemos em um contexto de valores bem diversificados, o que é extremamente enriquecedor, mas por outro ângulo, se não estivermos convictos do que valorizamos poderemos ser uma presa fácil daquelas pessoas que só pensam em impor os seus valores, desrespeitando os nossos.

 

      “Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda a palavra de Deus.” (Lc.4,4).Independente da crença julgo ser importante ancorar a nossa vida em uma palavra que acreditamos ser verdadeira. Entretanto, precisamos conhecê-la para não a esvaziar com significados distorcidos e mentirosos, recheados de mero interesse próprio e injustiças sociais.

 

 “Ser responsável, respeitar a dignidade humana, praticar a verdade e a justiça, reconhecer o valor da  solidariedade é o mínimo que se pode exigir para a formação ética de uma pessoa, face ao contexto sócio cultural em que vive”. (Nair Motta).

 

        Portanto, que possamos valorizar e discernir no meio dessa enxurrada de candidatos as pessoas "de palavra" , que a empenham com o intuito de contribuir com a sociedade, principalmente àquelas que não somente sabem fazer o uso dela, mas que demonstram com atitudes a sua verdadeira intenção, valorizam a palavra de honra. Chega de ficarmos nos enganando com belas palavras sem congruência alguma, recheadas de frases politicamente corretas, porém estruturadas sem nenhum valor ao bem comum, respeito à dignidade humana, honestidade, justiça, solidariedade, responsabilidade, igualdade de direito, de oportunidade e respeito às diferenças.

O QUE VOCÊ VAI SER QUANDO CRESCER?


        Em algum momento da nossa vida já escutamos alguém nos indagar sobre as nossas escolhas profissionais : O que você vai ser quando crescer? Parece que só seremos alguém depois que realizarmos a escolha profissional.


       A fase do desenvolvimento na qual somos pressionados para realizarmos a escolha da nossa profissão é a adolescência. Nessa fase, encontramo-nos, muitas vezes, confusos(as), inseguros(as) diante da chegada de um novo mundo cheio de descobertas, conflitos, emoções exageradas, paixões, ideologias, turmas...e é nesse exato momento que precisamos tomar a grande decisão pela carreira profissional.

       O que fazer diante de várias demandas? Muitas pessoas costumam se direcionar para os adolescentes às vezes com ar de imposição ou mesmo apresentam receitas prontas de como conseguirem alçar o sucesso profissional, ditando o que devem levar em consideração no momento da escolha da profissão a seguir: satisfação pessoal, sucesso financeiro, realização dos desejos dos pais, preconceitos embutidos, mitos... como se todos nós estivéssemos no mesmo tempo da caminhada e preparados para dar a tão esperada resposta aos nossos familiares e ou amigos sobre qual é a nossa vocação.

     Comungo com a ideia de Tabajara Dias, quando ele expressa a importância do papel da família , ouso acrescentar, original ou escolhida, que desempenha no momento da escolha da carreira profissional. “É no convívio da família que se formam os conceitos, aspecto extremamente importante quando consideramos a estruturação de um projeto de carreira.”

      Penso que conviver com pessoas que desde cedo nos estimulam a fazer escolhas e projetos, a respeitar o nosso tempo sem nos pressionar, a ajudar a descobrirmos o que gostamos e o que nos deixam desanimados, acreditar em nosso potencial, a buscar nos encorajar a enfrentar nossos medos, a aprender com os erros, não desistir frente às dificuldades, poderá contribuir para que na hora H, no momento da tomada da grande decisão da nossa vida, a escolha seja feita de forma coerente com o nosso momento, respeitando as nossas habilidades e facilitando a descoberta da nossa vocação, do nosso chamado para servir dentro da sociedade à qual estamos inseridos(as).

      Entretanto, todo projeto requer desenvolvimento de algumas etapas para que os nossos sonhos sejam projetados e realizados, e uma dessas etapas é o estabelecimento do objetivo. Como identificar e definir este objetivo que faz parte não somente do projeto de carreira, mas do projeto da nossa vida? Considero importante que antes de definirmos qual objetivo, precisamos conhecer-nos, tomar contato com as nossas emoções, nossa história familiar, motivação, cultura, nossos sentimentos e humor, porque o conhecimento antecede a escolha.

      Assim, descobrir o que queremos ser quando crescer, qual a nossa vocação, entendo não ser tão simples como algumas pessoas pregam e esperam que tenhamos a resposta de imediato, pois saber qual é a nossa vocação, nossa missão na sociedade, implica várias questões que perpassam no momento dessa escolha: psicológica, fisiológica, social, financeira... Por isso, acredito que para realizarmos uma escolha precisamos ir em busca primeiro do nosso autoconhecimento, tomar posse da nossa vida, descobrir o que está encoberto, surpreender-nos diante do nosso potencial e habilidades para enfim conseguirmos ou não encontrarmos a resposta sobre qual somos indagados: O que você vai ser quando crescer?

RECONCILIAÇÃO.

      Buscar a reconciliação com a nossa história ou com outra pessoa penso não ser fácil. Temos a tendência à apontar os erros dos outros do que reconhecermos os nossos. Até por que para isso precisaremos, antes de tudo, aceitar que cometemos algum deslize na relação. Uma vez que aceitamos poderemos dar o próximo passo em direção da tão sonhada reconciliação, quiçá mútua, e melhorar os nossos relacionamentos.

     

      Contudo, aceitarmos que não somos perfeitos, que em algum momento da nossa vida magoamos, traímos , ferimos, provocamos alguma ação indevida que acabou resvalando em alguém e prejudicando não somente essa pessoa mais o grupo o qual estamos inseridos, pode ser muito difícil e doloroso, porém será uma bela iniciativa para darmos a largada para a nossa mudança e melhorarmos a nossa qualidade de vida, bem como, as nossas relações humanas e interpessoais, se assim desejarmos restabelecer as boas relações com quem estávamos brigados.

 

     Quantos desentendimentos surgem puramente como consequência de choques de ideias! Ouvimos diversos discursos sobre as diferenças raciais, culturais, religiosas, de gênero, crenças em geral, mas na hora de nos relacionarmos se não estivermos atentos , comprometidos em manter a relação, acabamos por cometer erros crassos, expressando as nossas ideias preconcebidas sem nenhuma reflexão sobre o assunto.

 

       Não só os conflitos podem causar fissuras na relação como também, a crença de que o que a sustenta é aquilo que já construímos , está pronto e conquistado não tendo mais nada para melhorar ou mesmo conquistar. Quando pensamos assim, demonstramos falta de humildade e abrimos brecha para o surgimento de uma rachadura proveniente desde uma simples acomodação até o comprometimento severo da relação como um todo, podendo ficar mais difícil a reconciliação.

 

      Tampouco a falta de perdão poderá provocar contendas e desuniões nos relacionamentos, quando permitimos que todos os sentimentos envolvidos  acabem endurecendo o nosso coração e nos deixem cada vez mais isolados sem o desejo de realizar o encontro com outrem. Não percebemos que, aos poucos, podemos alimentar o motivo da briga e ficamos, remoendo-o dentro de nós, ao reviver todos os rancores, decepções e intrigas, ao cultivar  o apego da desarmonia e inimizade sem querer avaliar os sentimentos nem considerar que toda a relação é de mão dupla e, como tal, também temos responsabilidades em como nos relacionamos. Como também, ao não aceitar que ninguém é perfeito ao ponto de estar sempre certo, bem como imperfeito, sempre.

 

       A reconciliação conosco e com as outras pessoas requer esforço e é um grande desafio existencial. Não querer mais se alimentar de sentimentos ruins que contribuem para danificar as relações humanas e interpessoais e querer  seguir em frente como o tempo faz. Ressalto o Imre Madách em A tragédia do homem:

 

“ Esforço vão! Indivíduo nenhum/pode ir de encontro à época em que nasceu./O tempo é um rio que leva ou que afoga:/nele se nada, nele ninguém manda./Os grande homens de que fala a História/foram os que entenderam bem seus tempos./Não amanhece porque o galo canta:/o galo é que canta porque amanhece.”(Apud, A Sorte Segue a Coragem , pág. 31, 2018).

 

 

        Assim, rogo  que possamos com humildade, pedir ajuda , quando necessário for, para deixar de olhar,  de forma incessantemente, para o passado, alugando-o, mas que diariamente possamos administrar o tempo que temos e que nos resta, certos de que não temos como voltar atrás. Entretanto, podemos elaborar e dar novos significados ao que nos aconteceu, aprender a cultivar as nossas experiências, atitudes e sentimentos ao permitir que a porta da reconciliação fique aberta e nos leve à nossa edificação e a bons relacionamentos que são recheados de imperfeições e diferenças, mas que nos ajudam a viver e amadurecer.