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Psicóloga Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

Psicóloga Rosangela Perez

*Psicóloga CRP ativo *Psicoterapeuta *Professora *Palestrante *Autora livro: EXERÇA SUA LIBERDADE DE SER(Ed.Letra Capital) *COMPRE PELO LINK *PREÇO FRETE DENTRO DO BRASIL *Tel.: BRASIL(21)98383-1978 * rosangelaperez@terra.com.br

UM CANDELABRO.

           Atualmente tenho a impressão de que muitas pessoas estão ávidas pela luz nem que seja de um candelabro para iluminar o que não estão conseguindo enxergar ou mesmo encontrar.
     

       Quantas coisas podem estar perdidas! Talvez um sorriso com um olhar de esperança, um abraço aconchegante que transmita segurança e proteção, uma atitude mais gentil e fraterna, uma caridade recheada de boas palavras que transmitam alegria, bondade e verdade. Ilusão querer encontrar tudo isso ou mesmo até utopia acreditar que um dia ao encontrar iremos saber repartir com outrem? Pode ser.
     

       Segundo Mário Sérgio Cortella, “Quem sabe reparte, quem não sabe procura.” Ter o que repartir nesse tempo sombrio que estamos vivendo, é uma bênção. Repartir alimentos, cobertores, água, medicamentos, palavra edificante, esperança ou mesmo fé, independentemente de ter crença religiosa ou não, passa a ser uma ação salvífica, solidária, coletiva e emergencial.

        Não precisamos ir muito longe para nos depararmos com a pobreza, uma emergência que assola nossa sociedade, principalmente, nesse século. Destaco dois tipos de pobreza: o estado de pobreza da alma, quando não temos o que oferecer através de uma palavra de consolo e esperança para quem precisa. Tampouco, a falta daquilo que é necessário para a nossa subsistência, uma carência de bens e serviços essenciais para a vida.

     Quantos cenários e demandas sociais pulsam em nosso entorno! Vivenciamos as mais diversas dificuldades de acessibilidade às garantias dos direitos sociais, vinculados à dignidade e integridade humana, que constam em nossa Constituição Federal, mas são violados a cada milésimo de segundo.

      Ainda assim, devemos lutar e resistir a essa chacina social. Não aceitar mais as migalhas que tendem a humilhar e matar, aos poucos, a nossa autoestima, autonomia e potência.

     Entretanto, precisamos buscar força, discernimento, sabedoria e luz para sabermos como devemos resistir e enfrentar essa crueldade, que tende a proliferar e espalhar incerteza, desesperança, violência, medo, desconfiança, mentira e corrupção. Um verdadeiro massacre social a olhos vistos velado com largos sorrisos, belas mensagens, abraços, mãozinha no ombro, aperto de mão, beijinho, assistencialismo e intelectualismo que geram uma corrupção moral com o intuito de nos deixarmos no escuro, escravizados(as) e privados(as) da nossa liberdade.

   Diante desse cenário como ficarmos indiferente a tudo isso e acreditarmos que esse extermínio social não nos pertence e que sairemos ilesos(as) ? O que podemos fazer diante disso? Deixo como provocação essas reflexões, mas não para apenas pensarmos sobre a realidade que vivenciamos, mas sobretudo, buscarmos transformá-la para encontrarmos ou reencontrarmos a potência criativa que impulsiona a nossa vida.

      Uma vez que esse cenário social é preocupante e fazemos parte da sociedade...que tal arregaçarmos as nossas mangas e fazermos a nossa parte? Deixar de ficarmos só reclamando, que isso poderá nos levar ao murmúrio e anestesiar nossas ações, para reivindicar algo que nos leve a uma mudança verdadeira e autêntica.

     Afinal de contas se não estamos contentes com o que está acontecendo conosco, se a nossa árvore está adoecida sem condições de dar frutos, se a nossa terra não está boa para receber uma semente, talvez isso seja um sintoma de que algo precisa ser feito.

    No entanto, se não estamos conseguindo enxergar a saída sozinhos(as), talvez tenha chegado, enfim, o momento para pedir ajuda nem que seja de um candelabro, mas que não seja qualquer um , e sim um que nos dê a luz que brilha forte, ilumina- nos afastando de toda prisão e escuridão, dando-nos condições para enxergarmos com clareza, identificar, reconhecer, encontrar e resgatar o que ficou perdido durante a nossa caminhada na estrada da vida. Bem como, ajudar-nos a descobrir o que está encoberto e, por conseguinte, estimular-nos a expressar e elaborar os nossos incômodos, medos, pensamentos, sentimentos, nossas incertezas, angústias , emoções e imperfeições para encontrarmos e garantirmos a nossa qualidade de vida.

      Logo, fica aqui a dica para procurarmos um(a) psicólogo(a) que é um(a) profissional de saúde capacitado(a) com recursos teóricos e técnicos que faz toda a diferença, pois a sua “atuação psi é fundamental na consolidação de um modelo de cuidado que acolha a diferença, respeite a liberdade e garanta a cidadania e dignidade do sujeito em sofrimento”(CRP-RJ)

ATIVISMO.

      Nos dias atuais, estamos cada vez mais sendo bombardeados(as), envolvidos(as) e estimulados(as) a estarmos conectados(as) com os mais diversos assuntos sem ao menos nos dar conta se eles nos dizem respeito ou mesmo contribuirão para o nosso desenvolvimento. O que está acontecendo conosco?

       Tenho a impressão que existe um tremendo ativismo o qual acredita e defende que todos(as) estejam, sempre, ocupados(as)com alguma tarefa. Parar para observar com mais cuidado e clareza, duvidar e criticar com o intuito de enxergar, discernir e decidir sobre o tipo de mensagem que estão nos enviando, qual a intenção, se é verídica ou não, se nos diz respeito, pode parecer estranho e até vir a contribuir para sermos julgados(as) por estarmos, através dessas ações , cometendo um grande delito, um insulto a quem a propagou. Será?

     Talvez o maior insulto seja conosco quando não respeitamos os nossos valores, crenças e princípios éticos, menosprezando-os, em prol de sermos aceitos por pessoas conhecidas ou desconhecidas, que não nos aceitam nem nos respeitam. Precisamos aprender a nos valorizar, bem como valorizar o nosso tempo que nos é preciosíssimo. Afinal de contas, não temos o poder de voltar atrás. Pelo menos, não tenho esse conhecimento que exista alguma máquina do tempo que nos permita retornar ao passado e consertar as nossas escolhas que tiveram como consequência perdas irreparáveis. Como enfrentar e lidar com isso?

     Que tal refletirmos como estamos lidando com o tempo que nos é oferecido, diariamente? Como estamos fazendo uso da tecnologia? Estamos só assimilando causas que, muitas das vezes, provocam certas atitudes que contribuem com nosso adoecimento, recheadas de cobranças, exigências e rótulos que cada vez mais reduzem e aniquilam a nossa existência e empobrece a nossa convivência?

     Não tenho a pretensão de responder esses questionamentos, mas espero que contribuam para o enfrentamento desse ativismo acelerado e constante o qual impera, na maioria das vezes, uma quantidade absurda de mensagens, fotos, de incentivo às relações virtuais, áudios, likes e comentários, que dependendo de como lidamos com isso e da importância que damos a tudo que nos enviam , poderá nos afastar do real contato humano , das relações interpessoais olho no olho, das diferenças que nos enriquecem e do cheiro de quem amamos ou estamos aprendendo a amar ou respeitar como pessoa.

     Procurar reservar um tempo para aprender a proteger nossas emoções, gerenciar nossos pensamentos e elaborar todo esse excesso de informação e demanda que é derramado em nossa mente, em milésimos de segundos, poderá, também, ser uma das formas de enfrentamento e nos ajudar a cuidar da nossa saúde mental.

     O nosso corpo fala. Entretanto, precisamos querer escutar o que ele nos diz, seja através de um aumento da irritabilidade, baixo limiar para frustração, dificuldade em se adaptar as contrariedades e insatisfações, compulsões, dores musculares, fadiga extrema, insônia, tristeza e diversos outros sintomas psicossomáticos que aparecem aos poucos, mas como estamos tão preocupados com as demandas tecnológicas , acabamos não dando ouvidos para os sintomas que chegam a gritar, indicando-nos que algo deve ser revisto.

     Por isso, precisamos aprender a desacelerar a forma como estamos lidando com tudo que nos rodeia. Reciclar as crenças, as informações, as notícias, os avisos e recados e passar a respeitar mais a nossa vida, aumentar o prazer de viver, a criatividade, a generosidade e a afetividade. Olhar mais para a nossa história e nos colocar como o (a) protagonista e não um(a)simples coadjuvante ou mesmo espectador(a) que não tem o poder de mudar o roteiro.

    Logo, é necessário estarmos mais interessados e abertos a conexão conosco, com o que acreditamos e com o que nos rodeia, bem como atentos a cultura dos excessos tanto da tecnologia, das preocupações com a vida dos outros e da nossa, dos ativismos e argumentações, das drogas e do consumismo em geral para que não sejamos pegos de improviso, desprevenidos, no momento de realizarmos as nossas escolhas, causando consequências, muitas das vezes dramática, para a nossa existência.

 

 

QUANTA VIOLÊNCIA!

      “Ai da cidade sanguinária, cheia de fraude e de violência, e que não põe termo à sua rapinagem! (Naum 3,1). Ao ler essa passagem da Bíblia não pude deixar de refletir como estamos sendo envolvidos por ações tirânicas e o quanto o mundo demostra estar tão sanguinário.

  

       Pessoas estão morrendo de frio e de fome ao relento sem nenhuma dignidade, crianças sendo descartadas no lixo, famílias presas dentro das suas próprias casas com medo de sofrerem ataques impetuosos, cadáveres ‘sem nome’ aos monte sendo descobertos em matas fechadas, retorno de algumas doenças que haviam sido erradicadas, multidão de trabalhadores(as) desempregados(as)...e por aí vai...infelizmente como vai, principalmente, se não fizermos nada para mudar o rumo que tomamos.

 

     Acredito que temos a nossa parcela de responsabilidade quando por algum motivo, consciente ou não, permitimo-nos ser, sorrateiramente, seduzidos(as) por uma falsa conquista.

 

     Contudo, a impressão que tenho é que ficamos ou, ainda estamos inebriados, diante de uma fala cheia de encantos, hábil e mestre em enganar nações com atrativos, mas que no íntimo a sua única meta é a prisão e destruição de toda uma nação, quiçá humanidade.

  

     Até quando ficaremos acordados refletindo sobre alguma solução para que o nosso egoísmo não destrua o mundo que vivemos? Refletir é muito importante, mas buscar a transformação é fundamental para a nossa sobrevivência.

  

      Quando daremos um basta e teremos piedade de nós mesmos? Será que ainda teremos que assistir de camarote os(as) nossos (as) filhos(as) serem esmagados(as) nos cantos da rua, gemendo, clamando por ajuda sem serem socorridos(as)?

  

      Quanto egoísmo, crueldade e falta de cuidado!

  

     O povo demonstra estar disperso, assustado e sem proteção, ao ponto de aceitar qualquer pessoa que estenda a mão e lhe diga que irá salvá-lo.

  

     Entretanto, precisamos nos manter atentos para discernir sobre as reais intenções desse(a) salvador(a), pois poderá ser apenas um(a) falso(a)justiceiro(a) que deseja que permaneçamos dispersos, medrosos, egoístas, oprimidos sem nenhuma justiça e dignidade.

  

    Assim, desejo que possamos nos manter firmes como uma sentinela, atenta ao que acontece ao nosso redor, mesmo que para isso precisemos pedir ajuda sem cessar para conseguirmos nos manter fiéis aos valores que garantam à proteção dos direitos humanos a todos nós. Isso pode até soar como uma utopia, mas na verdade é um desejo de viver sem violência ou qualquer tirania.

 

VITÓRIA.

      Em dias difíceis como os que estamos enfrentando falar de vitória diante de várias batalhas, seja as vivenciadas por nós ou por alguém ao nosso entorno, pode parecer uma tremenda utopia. Até porque os “exércitos” que surgem a nossa frente demonstram estar bem preparados para nos combater e aniquilar com toda e qualquer esperança ou ação direta vinda em nossa direção.

    

     Assistimos “a olhos vivos” várias situações, beirando a falência social com quase ou nenhuma perspectiva para o futuro: o aumento da população em situação de rua e de dependentes químicos, alguns políticos que degradam os valores e princípios universais em troca de dinheiro, acréscimo da mão de obra informal sem nenhum direito trabalhista, elevado grau de violência no País, aumento de núcleos familiares sem nenhuma proteção do Estado, barbáries e intolerância religiosa e de gênero, pautas fundamentalistas, descaso com as políticas públicas...e por aí vai.

   

    Como lidar com essa realidade ao ponto de não nos deixarmos ser engolidos por mensagens e fatos estarrecedores os quais poderão enfraquecer a nossa atitude diante dessa tropa que expõe estar mais bem preparada e poderosa?

     

     Parece não ser fácil, né? Porém, quem disse que viver é fácil? Por isso, acredito que não podemos nos esmorecer frente a nenhuma multidão que costuma atacar com ameaças, fazer alardes, discursar em prol da defesa do povo, mas que no íntimo a grande maioria são mercenários(as), que valorizam o individualismo, egoísmo, mentira, morte, escravidão, opressão, ganância e exclusão social.

    

    Devemos dar um basta. Chega de hipocrisia. Não podemos cair mais nesse engodo muito utilizado por algumas pessoas que querem apenas se manter no poder para usufruir do bem e do melhor. Essas pessoas não pensam no povo, na população sofredora e discriminada. Demonstram com suas ações que querem mais como dizia um dos personagens de Chico Anísio: Quero mais é que o pobre se exploda!

   

    Contudo, faz-se necessário estarmos atentos e termos por perto uma boa dose de sabedoria e discernimento em relação as nuances e intenções de cada ação ou mesmo exposições de ideias proferidas por algumas pessoas que se dedicam à política, para quando chegar a hora do embate conseguirmos reconhecer e separar o joio do trigo.Voltar a ter esperança em nossa terra. Acreditar que o trigo dará vigor a todos(as) nós, será fundamental para conseguirmos nos mantermos firmes e lutarmos mais confiantes, independentemente de partido.

   

    Que possamos acreditar na vitória com coragem, fazer a nossa parte e deixarmos de nos omitirmos da nossa responsabilidade social, comprando a mensagem distorcida de algumas pessoas interesseiras que desejam apenas nos enfraquecer, deixando-nos de braços cruzados, dando total poder para um(a) salvador(a).

    

    Enfim, precisamos resistir durante o combate, focar no resgate da dignidade social, fazer valer os nossos direitos garantidos na Constituição: educação, saúde, trabalho, previdência social, lazer, segurança, proteção à maternidade e à infância e assistência aos desamparados. Por mais difícil que isso possa parecer, neste momento, ou mesmo soar como utópico, precisamos conseguir seguir em frente, acreditar que a Vitória é certa.

 

 

 

 

CRÍTICAS E MAIS CRÍTICAS.

         Estamos vivendo uma época onde expressar os nossos pensamentos e emoções pode ser muito perigoso. Chegamos até a ouvir: cuidado com as palavras! Entretanto, creio que o que precisamos ter realmente é o cuidado de não poder usar as palavras e acabar renunciando quem somos não só em prol das relações de poder, mas também do "politicamante correto" e da perfeição que inexiste.

 

       Segundo o filósofo francês Michel Foucault, a sociedade faz uso abusivo do poder através das organizações de espaços para controlar a nossa forma de pensar e de agir com o intuito de dominação. Desta forma, precisamos estar atentos para ao invés de pertencer a nós mesmos não passarmos a analisar e nos encaixar em saberes que não nos dizem respeito, dando ouvido para um grupo de pessoas que cisma em ditar o que é certo e errado para todos(as) nós. Uma vez que assim o fizermos, poderemos nos distanciar de quem somos para caber nesta caixinha "da perfeição" e acabar silenciando, cada vez mais, a nossa existência ao deixar de lado as nossas crenças e conceitos por medo da exclusão e permitir a coação e controle.

 

         De acordo com o filósofo citado, anteriormente:

 

"Temos antes que admitir que o poder produz saber (e não simplesmente favorecendo-o porque o serve ou aplicando-o porque é inútil), que poder e saber estão diretamente implicados; que não há relação de poder sem constituição correlata de um campo de saber, nem saber que não suponha e não constitua ao mesmo tempo relações de poder."( Vigiar e Punir, pág.31, 1999).

 

       Contudo, se começarmos a buscar ajuda profissional, trabalhar a nossa autoestima, ampliar o nosso autoconhecimento, poderemos tirar essa " mordaça controladora", ser assertivos(as) e desenvolver atitudes que venham a nos encorajar a expor também as nossas imperfeições, fraquezas, angústias e tristezas sem medo de estarmos sendo pouco ou muito vulneráveis diante dos outros. Afinal de contas ninguém é perfeito e muito menos feliz o tempo todo. A frase " e viveram felizes para sempre" só existe nas fábulas. Então, por que nos importar com as críticas? 

 

       Finalizo com o trecho do discurso de um dos ex-presidentes dos EUA, Theodore Roosevelt, citado em uma das palestras da pesquisadora Brené Brown:

 

"Não é o crítico que importa.Nem aquele que aponta quando o outro tropeça, nem aquele que diz que o outro devia ter agido diferente. O mérito é do homem na arena, aquele com o rosto sujo de poeira, suor e sangue, que se empenha, que erra, que fracassa, uma, duas, três , quatro vezes. Aquele que, no final, embora conheça o triunfo da vitória, pode até fracassar, mas se arriscando a ser imperfeito."

 

         Enfim, sejamos quem somos mesmo com críticas e mais críticas.

 

RECEBER A MISSÃO DE SERVIR.

          Hoje, estamos, quase que diariamente, recebendo uma enxurrada de notícias sobre os mais diversos servidores, principalmente os públicos, independente do regime jurídico, de estarem sendo suspeitos por fazerem uso de forma indevida do dinheiro da máquina pública , bem como de distorcerem a missão de servir à sociedade. Onde nós chegamos?

         

          Alguns servidores que têm como precípua função servir a população demonstram na verdade passar grande parte do seu tempo ocupados em administrar o seu próprio interesse, ao invés do coletivo. O bem-estar deles vai na frente do da sociedade, apresentando um comportamento questionável sem escrúpulo e antiético.

     

           Segundo Mário Sérgio Cortella,

 

“ A ética é um conjunto de princípios e valores que você usa para responder as três grandes perguntas da vida humana: Quero? Devo? Posso?”

     

        Muitas das vezes vivenciamos alguns dilemas éticos diários que nos colocam em conflitos: Quando precisamos escolher entre os nossos princípios e a lógica de algumas pessoas, que nos convidam a aceitar algum tipo de propina ou mesmo fechar os olhos para ações lucrativas, que poderão multiplicar as nossas finanças e nos manter no serviço. Diante desse dilema o que fazermos? Ter que escolher entre o certo e o errado em relação aos nossos valores e princípios pode não ser nada fácil.

       

          É certo que fazemos parte de um grande grupo e por mais que queiramos ou não, dependemos uns dos outros para nos mantermos vivos dentro dele. A decisão pode até ser individual, porém as consequências nem sempre.

           

            Voltaire disse:

“É perigoso estar certo em questões nas quais as autoridades constituídas estão erradas.”(Apud, O que Nietzsche faria?, pág. 218).

        

           Mas será que deveremos nos calar, omitir-nos? E aí, qual será a nossa conduta quando nos depararmos com servidores que têm condutas imorais, ao irem de encontro com determinados princípios que a nossa sociedade tem?

      

         O filósofo citado acima, foi um implacável defensor do direito à liberdade de expressão e jamais deixou de dizer o que acreditava o que deveria ser dito. Ele defendia que era através da manifestação do pensamento, sobretudo através da escrita, que podemos provocar uma mudança, quiçá uma grande reforma. No entanto, não adianta, somente, escrevermos, gritarmos aos quatro cantos ou reclamarmos que não concordamos com o rumo que as coisas estão tomando. Faz-se necessário para continuarmos vivos, protestarmos, ativamente, das mais variadas formas contra toda e qualquer ação que desqualifique a missão de um servidor e favoreça a corrupção e injustiça social.

   

       Assim, quando nos defrontarmos com notícias devastadoras em relação aos administradores do nosso dinheiro que saquearam e , sabe se lá se continuam saqueando os cofres públicos, sem dó e nem piedade, precisaremos nos mobilizar, resistir e estimular o pensamento crítico para evitar que toda essa ação seja naturalizada ou mesmo “ institucionalizada.”

     

     Tampouco, precisaremos tomar cuidado para não menosprezarmos todos(as) que receberam a incumbência de servir ao coletivo. Nessa hora uma boa dose de discernimento se faz necessário para separar o joio do trigo, identificar quem distorce o ofício e valorizar quem realmente desempenha e cumpre a função de forma honrosa, apesar das seduções e convites tentadores para que a missão não seja executada.

     

         Portanto, se quisermos saber onde nós chegamos, faz-se necessário não só nos mantermos atentos no julgamento, mas ainda procurarmos mantermos os nossos olhos bem abertos e valorizarmos todo e qualquer serviço, a ação de dar de si algo em forma de trabalho que nos desperta para a nossa vocação, para a tarefa em favor de alguém ou do coletivo e, que nos impulsiona a desempenhar a atividade que nos foi designada, enxergando o verdadeiro significado dela, mesmo que não sejamos compreendidos(as) por estarmos sendo fiéis à missão recebida.

 

 

 

FILHOS(AS).

     Várias vezes me deparei com algumas pessoas que acreditam que os (as)filhos(as) são dons de Deus. Contudo, será que esses(as) filhos(as) se consideram ou mesmo agem como um presente, uma dádiva divina para os seus pais?

   

    Existem muitas pessoas que por mais que entendam o significado da palavra presente, não conseguem se ver como tal, muito menos não conseguem se permitir, mesmo que desejem, estar ao lado dos seus genitores , os ajudando, orientando ou cuidando. O que acontece com eles(as)?Talvez existam vários motivos que poderão influenciar nas atitudes desses(as)filhos(as).

    

      A família é uma instituição social que tem passado por várias mudanças durante a nossa história. É no seio dessa instituição que ocorre a produção da subjetividade e as funções parentais são definidas e divididas com outras agências sociais.

 

“ Assim, a família reproduz, em seu interior, a cultura que a criança internalizará(...)
A importância da primeira educação é tão grande na formação da pessoa que podemos compará-la ao alicerce da construção de uma casa. Depois, ao longo da sua vida, virão novas experiências que continuarão a construir a casa/ indivíduo, relativizando o poder da família.”
(apud Psicologias, 2009, pág. 241).

 

     Algumas famílias estruturam suas relações no status, riqueza e no poder. Estimulam seus membros a competirem entre eles, fazendo com que sejam adversários e valorizem o relacionamento que seja útil e vantajoso. Quando um membro familiar adoece e não pode mais produzir, é visto como inútil e precisa ser descartado. Grupos familiares, assim, demonstram não nutrirem algumas características que são importantes para que uma relação afetiva se mantenha firme: o respeito, admiração e confiança.

   

      Não tenho aqui a pretensão de discorrer sobre os vários motivos de um(a)filho(a) agir com desprezo ou indiferença diante da necessidade de um familiar que o(a) criou, bem como julgá-lo(a) ou mesmo determinar o que é certo ou errado. Contudo, espero que este texto sirva de instrumento de reflexão sobre a nossa realidade. Mais do que isso , que possamos não só refletir sobre ela, mas também buscar transformá-la.

 


“ Faça o que puder, com o que tiver, onde estiver.”
(apud, Coragem para Mudar, pág.41)

 


     Logo, se ao refletirmos percebermos que precisamos melhorar a forma como estamos nos relacionando com nosso ente querido, poderemos desenvolver algumas atitudes: começar do zero o jeito como mantemos contato ; transmitir limites, se assim percebermos que é importante; experimentar estreitar ou não os laços; descobrir o porquê e como nos mantemos em um relacionamento qualificado como adoecido e revestido de capa protetora diante um do outro ; procurar também descobrir como afetamos e fomos afetados nas relações; entender os valores e culturas do nosso grupo familiar; dar novo significado às experiências vividas; aprender a administrar nossas emoções e sentimentos e desconstruir os velhos hábitos que nos enrijece e afasta do encontro e contato mais íntimo , transparente e verdadeiro. Afinal de contas somos ou não uma dádiva divina para os nossos pais?

 

SALVAÇÃO.

 

        O substantivo feminino salvação me levou a pensar sobre as várias situações que experienciamos, em algum momento da nossa vida, que podemos qualificá-las como difíceis ou paralisantes, mas que independente da qualidade dada a elas, se não tivermos o interesse em provocar a mudança, provavelmente não teremos a graça de vivenciarmos a tão esperada redenção existencial.

   

      Sair daquilo que nos apresenta como duro de viver ou mesmo sair do marasmo que nos demanda muitas vezes diversos esforços: intelectual, afetivo e físico, não é nada fácil. Sobretudo, quando guardamos somente para nós o que nos constrange, embaraça, violenta, diminui diante dos olhares alheios e contribui com a nossa baixa estima e o surgimento do transtorno de humor: depressão.

   

     Poderia listar aqui vários acontecimentos como exemplo daquilo mencionado no parágrafo anterior. Contudo o que pulsa em minha mente, neste momento, são as explosões diárias de mensagens sobre as múltiplas formas de violência contra a mulher.

  

   Atualmente, estamos recebendo um bombardeio de informações sobre a destruição de sonhos e vidas de milhares de mulheres agredidas e mortas por homens que demonstram não conseguirem lidar com suas próprias limitações e fraquezas emocionais ao ponto de precisarem usar da violência seja física, psíquica, patrimonial ou moral para se sentirem fortes e imortais diante de um ser feminino.

  

    Essa violência muitas vezes surge aos poucos, em doses homeopáticas. O agressor vai aos poucos, minando a sua parceira com depreciações sutis , diminuindo sua autoestima e o respeito por ela mesma, com frases recheadas de palavras que a insulta, ofende, menospreza, critica, acusa, responsabiliza, ameaça e a enfraquece, até chegar ao ponto de a violentar, usando-a como fantoche e abusá-la do jeito mais sórdido e desumano, levando-a a viver uma apatia digna de salvação. A mulher se vê sozinha sem condições de enfrentar as múltiplas formas de violência sofrida e não consegue sair sem ajuda desta dinâmica de relação abusiva.

    Contudo, ao invés da sociedade dar atenção ao pedido de socorro a quem sofre abusos constantes, procurar escutar o que a vítima nos diz através da sua dor e abatimento físico e moral, resgatá-la de forma concreta para reverter a situação, tenho a impressão que a maioria das pessoas assisti de camarote o extermínio da mulher. Algumas chegam até a entrar no jogo de quem agride, desvalorizando a pessoa agredida com frases do tipo: “ela é sem vergonha”; “ela não presta”; “volta para ele por que gosta de apanhar”; “Por que não vai embora?”.

  

      O que está acontecendo com o ser humano? Por que tanta violência doméstica, familiar, ódio, menosprezo ou discriminação à condição da mulher? Como estamos nos relacionando?

   

      Parece que as informações que nos chegam a milésimos de segundos de nada estão nos adiantando enquanto nos apresentarmos como pigmeus emocionais, diante das relações humanas e interpessoais que nos cercam, e não darmos importância ao nosso crescimento existencial.

  

   Precisamos querer aprender a lidar com todos os bombardeios de informações que invadem a nossa vida, porque de nada irá adiantar se não soubermos lidar com eles.

 

Segundo o provérbio nigeriano:
“ Não saber é ruim; não querer saber é pior”.
(apud Como Enfrentar a Violência Verbal, 2015, pág.132).

   

     Algumas ações poderão nos ajudar a contribuir com a nossa evolução pessoal: investir na saúde emocional fazendo psicoterapia, buscando desenvolver a habilidade do autoconhecimento que é a base de todo o relacionamento humano; procurar desenvolver algumas competências como aprender a complementar a cognição e emoção; saber trocar a informação que é fundamental nas relações humanas e, principalmente, desenvolver a empatia para estarmos mais sintonizados(as) com os sutis sinais sociais que indicam o que as outras pessoas precisam ou querem.

  

   Enfim, precisamos ter o interesse em realizar alguns movimentos para a transformação começar a acontecer, contribuir com o processo em evolução, mudar como nos enxergamos e descobrir como estamos nos relacionando para que possamos alcançar a tão esperada redenção não só pessoal como também a social.

                                    

                                   (Fonte da imagem: sindicomerciariosviamao.com.br)

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OBEDIÊNCIA À JUSTIÇA.

        Nos tempos atuais discorrer sobre obediência à justiça, seja particular ou social, parece ser um grande desafio , vide os escândalos nos diversos meios de comunicação: corrupção, atentado à igualdade humana, distorção entre o capital e trabalho e violência urbana.

       

          Segundo, Anacleto de Oliveira Faria :

           “Os romanos, em frase lapidar, definiram: justitia est constans et perpetua voluntas jus suum cuique tribuendi – justiça é a constante e perpétua vontade de dar o seu a cada um.”

     

       Contudo, para dar a outrem o que lhe é devido precisaremos entrar na seara do princípio da igualdade que é um dos valores básicos em um posicionamento ético e considerado por muitos estudiosos como um valor de dimensão universal.

    

       Destaco o artigo 1º da Declaração Universal dos Direitos Humanos- Organização das Nações Unidas: 

“Todos os homens nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade”.

 

 Entretanto, percebo que a nossa sociedade vem, desde muito tempo, sendo incoerente tanto com o 1º artigo da Declaração Universal quanto com as suas leis, pois na prática assistimos diariamente diversas ações recheadas de iniquidades se perpetuarem diante dos nossos olhos, indo de encontro a tudo o que considera como virtude.

 

 Como estamos nos relacionando? Como está a nossa ética? Como lidamos com a imposição de uma cultura da marginalização e exclusão? Como agimos diante do feminicídio, da homofobia, exclusão econômica e social, tráfico humano , preconceito racial ou mesmo da cultura do silêncio frente às tantas injustiças? Não tenho a intenção de deixar uma ou mais respostas prontas para estas perguntas, mas ouso estimular e propor uma reflexão sobre elas.

 

  O filósofo Mário Sérgio Cortella escreveu em um dos seus livros: “ É necessário cuidar da ética para não anestesiarmos a nossa consciência e começarmos a achar que tudo é normal”.

 

 Ser servos de uma cultura que não valoriza a reflexão, mas a morte, o egoísmo, injustiça, iniquidade, desespero e corrupção poderá nos levar para paralisia, atraso, decadência e uma grande ruína, porque passamos a usar o poder para ser servidos, ao invés de servir, valorizando a maldade, as diversas formas de exclusão , a brutalidade e desarmonia.

 

      Assim, proponho que possamos refletir sobre o nosso comportamento, nossa convivência e as nossas escolhas diante de tanta desobediência à justiça, particular e social, pois o que escolhemos tem consequência e pode afetar toda a sociedade ao nosso redor. Fazemos parte de um grupo social que de nada adiantará sermos racionais, senão pensarmos sobre as gritantes injustiças, os desrespeitos dos nossos semelhantes, que muitas das vezes assistimos, provocamos ou mesmo sofremos sem fazermos nenhum movimento para mudar. Finalizo , então,

“ Quando morreres, só levarás aquilo que tiveres dado.”

(Saadi, O Jardim das rosas).

                                               

                                                                       (Fonte da imagem: sapo.pt)                                             

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